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22.5.2009 O Rosto de Cristo no Epistolário Paulino Os grandes títulos de Cristo em Paulo são os de “Filho” e “Senhor”. Cristo é O Senhor, Cristo é Kyrios. Em 5 ocasiões (cf. 1 Ts 1,1.3; 5,9.23.28) o binómio Jesus Cristo está subordinado ao título Kyrios: «À Igreja dos tessalonicenses, em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo» […] (1,1). Em 6 textos (cf. 1 Ts 2,15.19, 3,11.13; 4,ls) o título de Kyrios é acompanhado do de Jesus: “os que mataram o Senhor Jesus” […] (2,15). Em 13 textos o título de Kyrios surge sozinho (cf. 1 Ts 1,6.8; 3,8.12; 4,15-17; 5,12.27). Em Paulo Jesus nunca aparece com o título evangélico posterior no tempo da redacção de «filho do homem». Os judeus da Palestina no período intertestamentário convertidos à fé nomeavam Cristo como Senhor («o Senhor») segundo a fórmula absoluta derivada do '''adon'' hebraico (cf. Sl 114,7: «Treme, ó terra, diante do Senhor, do Deus de Jacob»). Este título, afinal, não é originário da cultura helénica circundante. É mesmo património da fé da comunidade de Qumran com o aramaico mareh (cf. 11Q Sla28,7-8 [cf. Sl 151] «Quem poderá contar os feitos do Senhor?»; 11Q tgJb 24,6-7) e da tradição grega do Antigo Testamento [cf. LXX Jb 34,12 ][…]. A mesma proclamação (marya') é conhecida da literatura peri-testamentária (cf. «O Senhor disse a Gabriel»: 1 Enoch 10,9) e de Flávio Josepho. Paulo herda assim este título dos hebreus (cf. Act 6,1). Não admira, por isso, que seja dos primeiros conceitos com os quais a fé cristã tenta nomear Jesus na força da sua Páscoa em 1 Cor 12,3: «Jesus é o Senhor», tornando-se esta rapidamente numa fórmula de credo. Os ecos desta nomeação são visíveis na despedida da primeira carta aos irmãos de Corinto onde transcreve a aclamação litúrgica “Maranatha” em aramaico, na língua em que era cantada e pronunciada em muitas das primeiras assembleias celebrantes da (1 Cor 16,22), fórmula correspondente ao grego «Senhor» que era perceptível em ambiente helenista. Paulo integra a Igreja que dá a Jesus o título bíblico de «Senhor» conferindo-Lhe por esta via o estatuto de ressuscitado no sentido em que Jesus é digno de adoração como o próprio Deus. A Igreja Paulina coloca Jesus num estatuto de transcendência como o de Deus. O título «Cristo» (ungido) surge como sobrenome, surge ao lado do nome Jesus, é um nome de função. O título central de «Senhor» Paulo recebe-o muito provavelmente da comunidade judaico-cristã de Jerusalém de hebreus e de helenistas (cf. Act 6,1-6) para a qual desde o início Jesus é Senhor: significa que é Deus no estatuto de exaltado e ressuscitado, digno da mesma adoração de Javé, título aplicado no início sobretudo ao Jesus da parusia, no estatuto de transcendência, domínio sobre todos os povos quer do presente quer do futuro. Por seu lado, o título «Filho de Deus» aparece apenas 17 vezes em Paulo. Característico é o seu uso em fórmulas de missão (cf. Gl 4,4; Rm 8,3) que aludem claramente à pré-existência de Jesus (que poderá ser contextualizável sob o pano de fundo sapiencial do judaísmo alexandrino bíblico) 46. Paulo cunha outros títulos mais raros, ainda que não menos significativos, como «último Adão» (1 Cor 15,22.45), «espírito vivificante» (1 Cor 15,45), «imagem de Deus» (2 Cor 4,4; Cl1,15), «primogénito» (Rm 8,29), «cabeça» (Ef 5,23). Paulo silencia completamente alguns títulos dos evangelhos como: Mestre, rabbi, profeta, filho do homem. A relação de Cristo ao Espírito Santo ainda não está totalmente tematizada, logo muito menos verbalizada. Paulo não distingue claramente os dois. Em Rm 8,9-11 usa indiferentemente as fórmulas «Espírito de Deus», «Espírito de Cristo», «Espírito que ressuscitou Jesus de entre os mortos», tal como em Fl 1,19 com «Espírito de Jesus Cristo». Uma outra fórmula de missão é a de G1 4,6 («Deus enviou o Espírito do seu Filho»). Isto faz com que Paulo considere ainda o “pneuma” como uma “enérgeia”, é o Espírito «vivificador» (1 Cor 2,4; Rm 15,13). Para lá da titulatura cristológica, Paulo é o primeiro a indicar momentos e a reler a paixão de Jesus. Paulo começa onde os evangelistas a seguir vão acabar, na Paixão. Paulo começa pelo fim. Mas o importante é que o Cristo da paixão e da Páscoa para Paulo não é meramente descrito, noticiado, é anunciado, o que coloca Cristo a um nível completamente diferente. Precisamente por causa disto Paulo não se preocupará com os pormenores para que os leitores ouvintes não se percam nem se distraiam com isso. Ao anunciar Cristo anuncia-o já como Senhor e Filho de Deus exaltado e sentado à direita do Pai (cf. Rm 8,34; Ef 1,20; Cl 3,1). É o mesmo Jesus lido na experiência decisiva a caminho de Damasco. A morte de Jesus para Paulo não pode deste modo significar o fim de um processo nem o aniquilamento de um profeta peregrino, nem o termo da aventura do viandante de Nazaré. A morte de Jesus para Paulo é um gesto livre e gratuito com um significado profundíssimo – é a morte de alguém que deu a vida por ideal fazendo da sua morte uma doação de vida para o mundo, como fica bem expresso na fórmula antioquena «por vós» da celebração da ceia (cf. 1 Cor 11,24). […]. O Jesus de Paulo não aparece como objecto de uma descrição narrativa. Estes vocábulos aparecem sempre em contexto de vida cristã, que representa sempre o ponto de partida da atenção a Jesus. Não é um estranho, mas o fundamento mesmo da fé. Neste sentido, o cristão de Paulo não está apenas diante de Cristo à maneira descritiva, ou à beira de alguém que passe ao nosso lado. Antes, Cristo investe-nos, intercepta-nos. Paulo nunca fala isoladamente da ressurreição de Jesus corno um facto isolado ou apenas posterior à morte de Jesus. Ela é a causa da nossa salvação. A cruz e a ressurreição encerram em si uma dynamis (1 Cor 1,18.25). O «sangue do Dilecto» (Ef 1,6-7) não é apenas um exemplo externo, mas a causa da nossa salvação. Para lá desta terminologia, Paulo enriquece a fé cristã com leituras do Cristo da Igreja que se tornaram a sua imagem de marca fazendo da sua teologia do Cristo uma teologia plural. Assim, o Cristo de Paulo é o novo Adão que desadamiza a condição humana (cf. Rm 5,1-21), é a figura anti-típica que redime e ultrapassa a primeira figura adâmica. É uma comparação impossível, pois não há paralelo possível entre Adão e Cristo. Mas Paulo estabelece-o justamente para mostrar o excesso da reacção de Deus, a desproporção da sua graça, a qual, devido exactamente à sua natureza gratuita, é desproporcionada enquanto é excessiva. José Carlos Carvalho, O Rosto de Cristo no Epistolário Paulino, in Bíblica. Série Científica 17 (2008) 115-117.
18.5.2009 Baptizados num só Espírito, para Constituirmos um só Corpo Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito. 1ª Carta aos Coríntios 12, 3b-7.12-13.
12.4.2009 Ressurreição de Cristo e Vida Nova Todos nós que fomos baptizados em Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua, também o estaremos pela sua ressurreição. Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. Quem morreu está livre do pecado. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus. Carta de São Paulo aos Romanos 6, 3-11.
23.3.2009 S. Paulo e a Mulher Feito o indispensável percurso analítico, é agora possível retirar algumas conclusões acerca da mulher nas Cartas de Paulo: Começámos por fazer um levantamento exaustivo das muitas mulheres concretas que passaram pela vida de Paulo, e que o apóstolo chama pelo nome. Tivemos oportunidade de ver a grande estima e afecto com que o apóstolo publicamente distinguiu as mulheres. Muitas delas estão envolvidas publicamente nas tarefas das comunidades e da evangelização. Em muitas delas Paulo reconhece publicamente a mesma vocação e missão que o movem a ele e aos seus mais directos colaboradores masculinos. Mulheres há cujo empenho as colaca à frente do marido (o caso de Prisca ou Priscila). Paulo atribui a estas mulheres publicamente os mesmos títulos que se atribui a si mesmo e aos seus mais directos colaboradores masculinos, como sucede com os títulos de “apóstolo”, “diácono”, “colaborador”, “trabalhador”, “lutador” (=“atleta”). As mulheres aparecem ainda publicamente a desempenhar funções orantes, docentes e proféticas, e outros serviços nem sempre fáceis de identificar nas comunidades nascentes. Em tudo grandemente consideradas, em nada descriminadas. Nos textos autênticos de teor reflexivo, e em confronto com o que então vigorava quer em mundo grego quer em mundo judaico, Paulo mostra-se inovador, concedendo aos dois sexos a mesma dignidade “no Senhor”, sendo as diferenças de ordem funcional. A actividade evangelizadora em que a mulher estava envolvida nas Cartas autênticas de S. Paulo (1 Tessalonicenses, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Filipenses, Gálatas, Romanos, Filémon) é silenciada nas Cartas revistas/editadas (2 Tessalonicenses, Colossenses, Efésios), o que não é de estranhar, uma vez que estas Cartas se ocupam da mulher no quadro familiar. Mas também aqui, de forma equilibrada, Paulo mostra a igual dignidade do homem e da mulher, fazendo ver ao mesmo tempo a diferenciação funcional dos dois sexos. Os textos que reduzem a mulher ao silêncio e passividade na Igreja (1 Cor 14, 33b-35; 1 Tm 2, 11-15a) constituem interpolações tardias no seu actual contexto; não são da responsabilidade de S. Paulo, mas representam a reacção judeo-cristã, talvez na segunda metade do século II (o montanista Tertuliano é o primeiro que mostra conhecê-los por volta do ano 200; Orígenes é o primeiro que os cita na controvérsia antimontanista por volta de 230), ao processo imensamente libertador para a mulher e para o homem, desencadeado pelo cristianismo nascente. […]. S. Paulo situa-se igualmente no veio fundamental da Escritura e em ruptura com os modelos discriminatórios judaico e greco-romano, e leva por diante a acção libertadora de Jesus, chegando a ser até, nalguns aspectos, mais concreto do que Jesus. Na linha da situação paradigmática fontal, decorrente do mandato permanente do Senhor Ressuscitado: “Ide — Anunciai — Fazei memorial”, muitas das mulheres que encontramos nas Cartas autênticas de S. Paulo aparecem a desempenhar tarefas públicas nas comunidades e na evangelização. António Couto, A Mulher na Bíblia: Dignidade e Missão, in Igreja e Missão n. 169-170 (1995) 252-253.255.
23.2.2009 Paulo: Uma Vocação Profética Act 9, 1-18 apresenta todas as características de um texto de vocação profética: O Senhor chama Paulo; este responde; mandato ao que é chamado; objecção do profeta; confirmação do mandato por Deus. Este esquema é semelhante a outros chamamentos do Antigo Testamento. Por isso, ele coloca-se na linha dos profetas do Antigo Testamento, com várias alusões, sobretudo em Act 26,16-18: «Ergue-te e firma-te nos pés (Ez 2, 1), pois para isto te apareci: para te constituir servo e testemunha do que acabas de ver e do que ainda te hei-de mostrar. Livrar-te-ei do povo e dos pagãos, aos quais vou enviar-te (Jr 1, 5-8), para lhes abrires os olhos e fazê-los passar das trevas à luz (Is 42, 6-7.16; 49,6), e da sujeição de Satanás para Deus. Alcançarão, assim, o perdão dos seus Pecados e a parte que lhes cabe na herança, juntamente com os santificados pela fé em mim». Há ainda alusões aos profetas do Antigo Testamento, a propósito do seu chamamento desde o seio materno (Jr 1, 5; Is 49, 1), assim como a atenção especial aos pagãos (Act 28, 17.20). Ao lembrar várias vezes (nas Cartas) este chamamento, Paulo afirma-se apóstolo, que é uma modalidade da vocação profética. Nestas afirmações proclamadas aos judeus e às suas autoridades, Paulo exerce o seu ministério profético, afirmando que Jesus é a esperança de Israel. Paulo é apresentado por Lucas, não tanto como um convertido, mas sobretudo como um vocacionado para o profetismo cristão. Não é uma conversão propriamente dita, porque se coloca no seguimento da História da Salvação do Antigo Testamento, no seguimento dos profetas. O texto das Cartas mais próximo deste assunto é Gl 1, 15-16a: «Mas, quando aprouve a Deus - que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça - revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma». A resposta de Paulo com outra pergunta «Quem és tu, Senhor», encontra-se igualmente na linha das aparições angélicas do Antigo Testamento (Tb 12, 15-17; Dn 10, 4-6). Ele esperava tudo menos uma palavra de Jesus ressuscitado, sabendo que um crucificado é uma maldição de Deus (Gl 3, 13). Neste caso, Jesus é o verdadeiro Abraão, o homem da bênção, o pai da fé de todos os cristãos, e Paulo, de homem zeloso da Lei torna-se o homem zeloso da justificação mediante a fé em Jesus. Paulo descobre o sentido da cruz, que, de sinal de maldição (Dt 21, 23; Gl 3, 13) se torna, agora, uma fonte de bênçãos para todas as nações, como em Abraão (Gn 12, 1-4). O perseguidor de Jesus torna-se o proclamador da fé em Jesus (Gl 1, 13.23). Trata-se, pois, de um chamamento, por meio de uma revelação, para o ministério universal, dirigida aos pagãos (Gl 1, 13-17). Herculano Alves, Paulo, de Fariseu a Apóstolo, in Bíblica. Série Científica 17 (2008) 42-43.
25.1.2009 A Conversão de São Paulo A passagem em que Paulo apresenta a sua conversão de modo mais belo e mais profundo parece-me ser a de Fil 3. Nesta passagem, ele descreve-a claramente como uma conversão, ou seja como uma reviravolta completa do seu ser e do seu modo de viver. Paulo começa com uma alusão ao sistema de valores que perfilhava antes do encontro com Cristo e depois proclama tê-lo abandonado, tê-lo mesmo desprezado, e ter-se ligado a Cristo. O seu sistema de valores não era em si desprezível. Paulo aliás apreciava-o ao máximo, orgulhava-se dele e não sem razão: era um sistema fundado na eleição, da parte de Deus, do povo de Israel, um sistema garantido pela própria palavra de Deus. Paulo escreve: Se alguém considera poder confiar na carne, eu mais do que ele»; fala pois da confiança, de valores que são um apoio seguro. Depois elenca: «Circuncidado ao oitavo dia, da estirpe de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus» (Fil 3, 5). Tudo isto quer dizer que é membro do povo escolhido por Deus, portanto uma situação de segurança espiritual; além disso, «fariseu quanto à lei, irrepreensível quanto à justiça que deriva da observância da lei»: uma conduta, portanto, perfeitamente coerente com esta situação de membro do povo de Deus. […]. Este sistema de valores era na verdade mais do que respeitável: Paulo porém mostrou uma conversão completa e rejeitou-o. Para fazer o quê? Terá sido para adoptar um sistema de valores considerado melhor? Não. Rejeitou-o para aderir a uma pessoa. De todos estes valores diz: «O que podia ser para mim um ganho, considerei-o uma perda, em razão de Cristo» (Fil 3, 7). Não se pode afirmar uma reviravolta mais completa: o que era um ganho, torna-se uma perda; o que era positivo, é visto de modo negativo. E Paulo continua: «Mais ainda, julgo tudo uma perda, diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, pelo qual deixei perder todas estas coisas e as considero como lixo» (Fil 3, 8). Os valores mais eminentes são considerados como lixo, sujidade, são desprezados, rejeitados, com toda a energia do temperamento apaixonado de Paulo. O antigo sistema de valores não é substituído por um outro sistema, mas pela adesão a uma pessoa: Paulo abandonou um sistema para aderir a uma pessoa, deixou perder todas estas coisas, que agora «considera como lixo», «a fim de ganhar a Cristo», «a fim de o conhecer». Paulo deseja sobretudo conhecer Jesus Cristo: aqui notamos que o verbo «conhecer», no vocabulário bíblico, não designa só uma operação mental, intelectual, mas exprime uma relação pessoal. Paulo foi seduzido por Cristo, e agora para ele só há um tesouro, o próprio Cristo. Diz que o quer «ganhar», verbo significativo que demonstra que Paulo considerava Jesus o seu único tesouro. A conversão não é um acto da razão, é um acto de enamorado, portanto provocado pela loucura do amor: Paulo deixa as coisas mais estimadas, para seguir a pessoa amada. Albert Vanhoye, Pietro e Paolo. Esercizi Spirituali Biblici (= Paolo di Tarso 4), Milano: Paoline, 2008, 52-54.
29.12.2008 A Inserção do Filho de Deus na História Humana «Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama “Abbá! Pai!”. Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus» (Gal 4, 4-7). O aparecimento de Cristo na história humana não foi uma mera irrupção vertical que tocou a periferia do acontecer mundano de uma maneira simplesmente tangencial. O Filho de Deus emergiu no meio da história como qualquer homem, suportando todas as consequência da alienação humana: «nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei». O Filho de Deus é alguém «nascido de uma mulher», um homem como qualquer outro, totalmente homem; inserido em cheio na situação histórica do estado de maldição da Lei do qual Paulo nos falou (3, 13). O facto de sublinhar esta inserção do Filho de Deus na história humana, era essencial para o pensamento paulino neste ponto crucial da sua doutrina. A humanidade, de certo modo, identifica-se com Cristo (3, 28), forma com Ele um único bloco. O passo que a humanidade tem que dar, da situação servil para a situação filial, tem que se realizar em Cristo. Por isso, Cristo insere-Se totalmente na história humana, identificando-Se com ela sem sutura de nenhuma espécie. Aqui Paulo, como em Fl 2, 6-11, apresenta-nos Cristo realizando o único esquema de toda a acção libertadora. Este esquema tem três tempos: 1) Inserção na miséria que é preciso salvar. 2) Auto-libertação com base num acréscimo de força salvadora. 3) Arrasto dos outros companheiros de miséria. Jesus surge como o libertador perfeito: em primeiro lugar, partilha a alienação legal, da qual havia de salvar a humanidade. Este gesto, porém, não é puramente romântico, mas contém uma grande eficácia, pois possui um acréscimo de força salvadora. Não nos esqueçamos de que em todos os processos de libertação, há sempre à cabeça um heróico «traidor», ou seja, alguém que, pertencendo à classe superior e gozando dos seus privilégios soube utilizá-los contra a sua própria classe e em beneficio dos oprimidos. Finalmente, Jesus arrasta consigo aqueles que O seguem. Daqui em diante, os homens — todos os homens — podem invocar Deus com o mesmo nome de Pai. A herança será repartida entre todos por igual. José María González-Ruiz Comentários à Bíblia Litúrgica, Coimbra: Gráfica de Coimbra 2, 1558-1559.
24.11.2008 A Vocação de São Paulo Esta situação [Paulo blasfemo, perseguidor e violento] mudou de modo imprevisto por uma aparição de Cristo. São Lucas diz-nos que esta aparição teve lugar no caminho de Damasco [Act 9, 1-19; 22, 6-16; 26, 12-18]; São Paulo não o diz directamente, mas deixa-o perceber quando declara que algum tempos depois do acontecimento, «regressou» a Damasco (Gal 1, 17). Sobre a própria aparição, sabemos bem que Lucas nos transmite diversos pormenores. Nas suas cartas, Paulo não dá os mesmo detalhes, mas insiste muito no facto de que Cristo ressuscitado lhe apareceu, e exprime uma conexão estreita entre aquela aparição e a sua vocação de apóstolo. Na 1ª Carta aos Coríntios, quando menciona o fundamento da sua fé, Paulo elenca as aparições de Cristo ressuscitado. Diz que Cristo apareceu a uma série de pessoas, a começar por Pedro, e depois a todos os apóstolos, e então acrescenta: «Por último, apareceu-me também a mim, como a um aborto: eu com efeito sou o último dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo porque persegui a Igreja» (1 Cor 15, 8-9). Noutro passo, Paulo pergunta em tom de desafio: «Não sou porventura um apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? (1 Cor 9, 1). A resposta sugerida é clara: Paulo viu Jesus, nosso Senhor, e esta visão, esta aparição, fez dele um apóstolo. Na Carta aos Gálatas, Paulo exprime dum outro modo a sua vocação. Mostra o efeito dela declarando que depois deste acontecimento os cristãos diziam uns aos outros: «Aquele que então nos perseguia, agora anuncia o evangelho da fé que antes devastava» (Gal 1, 23). Um contraste impressionante: antes «perseguia», depois «anuncia o evangelho». Esta frase coloca bem em relevo o aspecto surpreendente, verdadeiramente admirável da vocação de Paulo: um perseguidor chamado a ser apóstolo. Este aspecto surpreendente e característico da vocação de Paulo merece a nossa atenção, porque revela o traço fundamental de toda a vocação: mesmo se as circunstâncias se mostram mais ordinárias, uma vocação é sempre um facto surpreendente, porque é uma obra de Deus, não é um facto humano. A nossa vocação é uma obra de Deus que temos de reconhecer com admiração e reconhecimento. Tanto Paulo como Lucas insistem neste ponto: querem demonstrar quanto foi humanamente inexplicável a vocação de Paulo. O caminho normal do apóstolo era prosseguir o sentido da sua educação, do seu temperamento, isto é permanecer um fariseu fervoroso, fortemente ligado à lei de Moisés e a todos os seus preceitos, orgulhoso em se afirmar como «irrepreensível quanto à justiça que deriva da observância da lei» (Fil 3, 6). O caminho de Paulo passava pois por ser violentamente alérgico à pregação cristã, que exigia que a própria fé fosse depositada num homem que tinha sido condenado em virtude da lei e tinha sido morto como maldito, suspenso numa cruz. «Temos uma lei!», tinham gritado os judeus, «e segundo esta lei ele tem de morrer!» (Jo 19, 7). Se tivesse estado presente, Paulo teria certamente gritado as mesmas palavras. Ele observa, na Carta aos Gálatas, que a morte de Jesus corresponde à maldição lançada pela lei contra os transgressores: «Cristo tornou-se ele mesmo maldição por nós, porque está escrito: Maldito quem é suspenso no madeiro» (Gal 3, 13). O caminho normal de Paulo consistia portanto em recusar isto e obstar o mais possível à difusão da fé cristã, mesmo pela perseguição violenta. Mas Cristo interveio e deu a Paulo uma vocação exactamente em sentido contrário: em vez de obstar à fé cristã, tornar-se o pregador mais zeloso; em vez de proclamar com soberba os privilégios dos judeus observantes, abrir a todos os pagãos os tesouros da graça divina. É claro que esta inversão completa não foi uma obra humana: a vocação é uma iniciativa de Deus, uma pura graça que deve causar admiração. Como é que Deus se pôde interessar por um homem blasfemo, perseguidor, violento? Como é que o Omnipotente pôde dirigir o seu chamamento a uma criatura débil, frágil, pecadora? E, no entanto, isto aconteceu com Paulo, aconteceu com Pedro de outro modo, e acontece com tantos e tantos homens e mulheres, crianças e adultos, ricos e pobres, cultos e incultos. A explicação não está nos méritos humanos, mas unicamente na generosidade extraordinária de Deus. A vocação não se baseia na nossa prévia dignidade: é preciso antes dizer que a vocação nos confere a nossa dignidade. Deus dignou-se por puro amor colocar-se em relação pessoal connosco, e reciprocamente colocar-nos em relação pessoal com ele. Este é o fundamento da nossa verdadeira dignidade, todas as outras coisas são secundárias. Deus escolheu um perseguidor para o fazer apóstolo, para que este apóstolo não atribuísse aos próprios méritos a sua vocação, nem a fecundidade do seu ministério, mas reconhecesse em tudo a iniciativa admirável do amor de Deus. Esta é a primeira lição que Paulo retirou das circunstâncias da sua vocação, e que depois inculcou nas outras pessoas. Albert Vanhoye, Pietro e Paolo. Esercizi Spirituali Biblici (= Paolo di Tarso 4), Milano: Paoline, 2008, 36-39.
26.10.2008 Classificação das Cartas Paulinas Tem sido habitual e corrente classificar as cartas Paulinas nos seguintes grupos: — Cartas aos Tessalonicenses (1-2 Tes) — Grandes Cartas (Rom, 1-2 Cor, Gal) — Cartas do Cativeiro (Fil, Flm, Ef) — Cartas Pastorais (1-2 Tim e Tit) Esta divisão tem em conta o conteúdo das cartas, a extensão e a importância teológica das mesmas, bem como as circunstâncias que rodearam a sua composição. Concretamente as Cartas do Cativeiro são assim denominadas porque o seu autor parece encontrar-se preso quando as escreve (Ver Fil 1, 7, 12-14; Flm 1, 9, 10, 13, 23; Col 1, 24; 2,1; Ef 3, 1; 4, 1). Esta classificação, a que podemos chamar tradicional, tem a sua razão de ser, mas é um tanto artificial e pouco esclarecedora. […] Há uma outra divisão […] que está, pouco a pouco, a introduzir-se entre os estudiosos de São Paulo. É a divisão em dois grandes blocos, atendendo à cronologia — primeira época Paulina e segunda época Paulina — e atendendo também a uma correcta autenticidade Paulina — cartas «protopaulinas» e cartas «postpaulinas» —. Por fim, se tivermos em conta o conteúdo, podia ser, assim, uma classificação correcta: — Cartas de temática fundamentalmente escatológica (1-2 Tes e cap. 15 de 1 Cor). — Grandes em que se fala da salvação de Deus através de Cristo dentro de uma comunidade de fé (Rom, 1-2 Cor, Gal). — Cartas em que se descreve, sobretudo, o papel de Cristo na Igreja e no mundo (Fil, Col, Ef). — Cartas centradas na organização da comunidade (1-2 Tim e Tit). La Casa de La Biblia, Curso de Iniciação à Leitura da Bíblia, Coimbra: Gráfica de Coimbra - Difusora Bíblica, 1996, 57.
26.10.2008 O Evangelho Interroguemos os escritos do Novo Testamento para descobrir como usavam a palavra “Evangelho”. Um dado estatístico dá-nos uma panorâmica: das 76 vezes que a encontramos nos escritos neotestamentários, 60 vezes está nas cartas de São Paulo. É Paulo de Tarso aquele que, pela primeira vez, cunha este termo “Evangelho” para resumir a mensagem cristã. Talvez o tenha encontrado nas primeiras comunidades cristãs de língua grega. […] São Paulo tem muito claro que o protagonista do Evangelho é o próprio Deus. Quando, no início da carta aos cristãos da Galácia nos dá as suas notícias autobiográficas, diz-nos que é apóstolo por iniciativa de Deus e que o evangelho que anuncia recebeu-o por revelação de Jesus Cristo, com a finalidade de o anunciar aos pagãos (Gal 1,11-16). Igualmente, ao começar a carta aos Romanos, Paulo apresenta-se-nos como “escolhido para anunciar o Evangelho de Deus” (Rom 1,1), “que é força de Deus para a salvação de todo o que crê: do judeu primeiramente e também do grego” (Rom 1,16). Força de Deus que se manifesta na ressurreição de Jesus; mas também sobretudo no momento presente, na cruz e na debilidade ou até na aparência de loucura segundo os parâmetros da sociedade, da pregação apostólica. É muito interessante o resumo do Evangelho proclamado por Paulo que encontramos no escrito mais antigo do Novo Testamento, a primeira carta de Paulo aos cristãos de Tessalónica. “Eles mesmos contam os detalhes do acolhimento que nos fizestes: abandonando os ídolos, voltastes-vos para Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro e viver aguardando o regresso de seu Filho Jesus do céu, a quem ressuscitou de entre os mortos e nos livre do castigo futuro” (1 Tes 1,9-10). Mas é na primeira carta aos Coríntios que se encontra uma referência muito importante sobre a fé cristã nas suas origens. Paulo, com a palavra “Evangelho”, recorda o conteúdo do ensino salvífico que tinha recebido da primeira comunidade cristã e que tinha transmitido: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e mais tarde aos Doze” (1 Cor 15, 3-5). Este é o “credo” cristão mais antigo, o Evangelho no seu sentido mais original e primeiro. Esta é a palavra sobre Jesus que a comunidade cristã transmite desde o princípio. Joan Naspleda, Evangelio, in Misa Dominical 40:14 (2008) 49-50.
13.09.2008 A Figura de Cristo nas Epístolas de Paulo O mundo Paulino está cheio de Cristo. Ele age nos homens, tanto em cada crente como na Igreja. Ele impera sobre todas as coisas criadas. Está em tudo e tudo está n’Ele. «N’Ele, com efeito, vivemos, nos movemos e existimos» disse Paulo aos homens do Areópago (Act 17,28), falando de Deus, e tais palavras repeti-las-ia também no que se refere a Cristo. «Em nome de Deus» se saúda e se agradece, se julga e se admoesta, se faz o bem e se suporta o mal, se exercita a paciência e se conseguem vitórias. Ser cristão significa participar d’Ele. Viver como cristão quer dizer que Ele respira e opera em nós. O maravilhoso mistério da vida cristã consiste no facto de Ele viver em cada crente a sua vida humana e divina, numa singularidade sempre nova, que nunca se repete, permanecendo sempre o Uno, o Igual, o Imenso. Em cada um de nós Ele nasce, cresce, «chega à maturidade». Este mesmo Cristo vive subtraído a qualquer influxo do tempo, na eternidade. Imutável, «Ele senta-se à direita do Pai». Ele existe no início dos tempos, e não só como o Logos, mas, de certa forma, já como o Cristo: di-lo também o misterioso primeiro capítulo da epístola aos Colossenses. E Ele existe também no fim, esperando, penetrando no tempo ao nosso encontro, entrevisto na esperança da fé. E regressará um dia para pôr termo a todas as coisas, para se erguer como nosso Juiz e para nos inserir na eternidade. Se fixarmos o olhar no Jesus dos Sinópticos, vemo-lo nascer em Belém, crescer em Nazaré, andar pela Terra Santa e encontrar-se com a gente, subir a Jerusalém para o cumprimento do seu destino, mas este Jesus aparecer-nos-á um ponto extraordinariamente pequeno num mundo vasto . O mundo terrestre é o espaço que compreende a sua pequena terra, e sobre ela a sua figura abandonada à sua debilidade humana; a história de Israel representa apenas uma minúscula fracção do curso do tempo, e a sua vida é simplesmente uma pulsação. O mundo é imenso, e Ele, como todos nós, parece algo de microscópico em tanta imensidão. Em Paulo, porém, a relação inverte-se: Cristo ergue-se gigantesco e domina o mundo. N’Ele se centram e resumem todas as coisas criadas, n’Ele está tudo. E Ele é também Aquele que compreende em si o homem. E o crente vê o mundo através d’Ele; n’Ele a sua vida tem o próprio centro motor, d’Ele derivam o impulso, o ritmo, a força. Cristo é a lei que regula as vicissitudes humanas. […] Cristo existe no homem e o homem n’Ele. E quando o homem acredita e recebe o baptismo, acontece n’Ele algo de singular, afirma Paulo. Ele encontra-se em comunhão de existência com Cristo, como se Este penetrasse nele e aí permanecesse como figura a dominá-lo. E quando Jesus se estabeleceu dentro de nós, quer revelar-se na existência humana. […] Mas o poder de Cristo está também na totalidade, na Igreja. A mesma marca que caracteriza o cristão caracteriza também o complexo da cristandade, aí domina, aí urge, aí age e sofre o destino. Romano Guardini, La Figura do Gesù Cristo nel Nuovo Testamento, Brescia: Morcelliana, 42000, 40-43.
26.08.2008 Paulo: Um apaixonado pelo Evangelho Não façamos do Apóstolo um escritor! Seria ele o primeiro a admirar-se que se estudassem os seus escritos como as teses de um teólogo profissional que, no silêncio do seu escritório, aperfeiçoa pacientemente a mais pequena palavra. Não, Paulo é um missionário: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor 9,16), tal é o grito saído do coração de um homem empolgado por Cristo (Fil 3,12) que não pode fazer outra coisa senão proclamar em todo o lugar, e diante de todos os homens, a sua fé no amor redentor (2 Cor 5,14ss). Estimulado pelo aguilhão de Cristo (cf. 2 Cor 9,16), Paulo procura, pois, ouvintes para lhes comunicar a Palavra da Salvação. Encontramo-lo ora na Sinagoga, ora nos pórticos da cidade ou na praça pública, dirigindo-se tanto aos seus irmãos de raça como aos gregos, aos homens como às mulheres, aos escravos como aos homens livres. Para cada um deles, Paulo procura encontrar a palavra conveniente, que faça vibrar a corda sensível. A sua correspondência não é mais do que uma série de conversas com os fiéis que ganhou para Cristo. Faz-nos sentir aquela «solicitude por todas as Igrejas», que tanto o torturava. «Quem é fraco sem que eu também o seja? Quem tropeça, que eu não me consuma com febre?» (2 Cor 11,28ss). Convertido no caminho de Damasco, Paulo sentiu como que «um rasgão» na sua vida. Num breve instante desvaneceram-se os valores que apreciava; outros foram iluminados: «mas tudo isso que para mim era lucro, reputei-o perda por Cristo. Na verdade, em tudo isso só vejo dano, comparado com o supremo conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor» (Fil 3,78. Comparar com Mt 16,26) A teologia de Paulo está profundamente marcada por esta experiência espiritual. Não é uma teologia de lentas aproximações, de caminhada «catecumenal» como hoje se diz, mas de rupturas instauradas. Daí, no plano literário, o gosto pelo paradoxo como se pode ver na epistola aos Gálatas. Será preciso aceitar ao pé da letra a afirmação de que a Lei veio por causa das transgressões (Gal 3,19)? E quando Paulo declara que não quis conhecer outra coisa a não ser Jesus Cristo crucificado (1 Cor 2,2), deve-se deduzir daí uma teologia da cruz que minimize o realismo da ressurreição […]? Cabe ao leitor completar cada uma das formas paradoxais por outras que as equilibrem: a Lei é santa (Rom 7,12); e, se Cristo não ressuscitar, é vã a vossa fé (1 Cor, 15,14). Edouard Cothenet, São Paulo no Seu Tempo (= Cadernos Bíblicos 13), Lisboa: Difusora Bíblica, 1983, 18-19. |